A História e Biografia de Edgar Allan Poe – Resumo

Edgar Allan Poe, nasceu no ano de 1809, e faleceu em 1849. Escritor norte-americano, autor de contos e poemas sobre o macabro e o misterioso. Suas obras mais conhecidas são o conto A Queda da Casa de Usher e o poema O Corvo, em que um homem que chora a morte de sua amada é visitado por um corvo que lhe diz que ele nunca mais a verá.

Passar-se-á, então, a um breve sumário dos principais pontos da biografia de Poe, relevantes para esta discussão, sumário esse apoiado em Arthur Quinn (1988) e Scott Peeples. Edgar Poe nasceu em Boston, Massachussets, em 1809, filho de uma renomada atriz teatral e de um aspirante a ator, cuja carreira se deu de forma meteórica. Logo após o nascimento de sua irmã mais nova – Edgar tinha, então, quase três anos de idade-, a mãe, Elizabeth Poe, morreu de tuberculose, deixando três filhos pequenos à mercê da caridade de comerciantes e familiares ( o pai já havia abandonado a família previamente, desaparecendo por completo – alguns biográfos levantam também a possibilidade de morte por tuberculose). Edgar foi acolhido por uma rica família de comerciantes em Richmond, Virginia, os Allan, mas nunca oficialmente adotado.

Após uma infância tranqüila e abastada, o que inclui um período na Inglaterra, onde estudou em internato por algum tempo, Poe, então, Edgar Allan Poe, passou por uma adolescência mais conturbada: dívidas, constantes atritos com o pai adotivo, indefinições quanto à carreira que queria seguir, a de poeta.
Em 1824, Poe decide escrever seus primeiros poemas. É o ano da primeira decepção amorosa – a mãe de um colega, pela qual se sentia atraído, morre. No ano seguinte, comprometeu-se com uma vizinha, mas o namoro foi proibido.
Em 1826, Poe começou a freqüentar a University of Virginia, então em início de funcionamento e palco de constantes carteados, brigas e bebedeiras. No final do ano, após ter acumulado mais dívidas, foi forçado pelo pai a largar os estudos e a se alistar no exército em Boston. Permaneceu em serviço militar por dois anos, o que lhe valeu a possibilidade de publicar o primeiro livro de poemas, Tamerlane and Other Poems ( 1827), com recursos coletados entre os recrutas e oficiais. De fato, parece ter apresentado um forte senso de humor e de crítica em seus poemas satíricos lidos no quartel, o que o tornou famoso a ponto de convencer seus colegas a contribuírem para tal publicação. Em 1829, após mais desavenças com o pai e a morte da mãe, deixa o exército e volta para casa.

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Nesse ano, publica seu segundo livro de poemas, Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems.
Em 1830, momento de aparente paz doméstica e reconciliação, volta ao exército, entrando para a Academia de West Point com apoio do pai. Entretanto, após o novo casamento deste, Poe decide se insubordinar com relação às ordens dos oficiais, forçando uma corte marcial em 1831, ano em que publica Poems: Second Edition. Muda-se, então, para Baltimore e passa a viver com a tia, Maria Clemm, a prima, Virginia, e o irmão, William, que morre no mesmo ano. Segue-se, um longo período de pobreza, viagens em busca de emprego, incertezas e várias publicações em revistas. Diante das exigências do mercado editorial e leitor da época, abandona por muito tempo o sonho de escrever e publicar coletâneas de poemas. Tenta, assim, o romance folhetim, o diário imaginário, a crítica literária, a resenha de publicações ficcionais ou não, enfim, formas diversas de agradar leitor e editor; formas de sobrevivência.

A partir de 1832, dedica-se constantemente ao conto, narrativa breve que pudesse ser publicada rapidamente, lida em pouco tempo e apreciada por sua intensidade narrativa. Envia diversos contos a revistas da época, participa de concursos literários e começa a ganhar fama e algum dinheiro. Alguns dos contos mais famosos de Poe datam do período 1832-1842, década de altos e baixos na produção, publicação e aceitação de suas idéias. Em 1835, por exemplo, publica “Berenice”, “Morella” e “The Unparalleled Adventures of One Hans Pfaall”. Em 1836, casa-se com Virginia, então com treze anos de idade, o que causa assombro na sociedade puritana e fechada da época. Em 1837, surgem os primeiros capítulos em folhetim de The Narrative of Arthur Gordon Pym. Em 1838, publica “Ligeia” e Pym em versão integral.

Em 1839 publica a primeira coletânea de contos, Tales of the Grotesque and Arabesque, com vinte e cinco contos,
dentro os quais, “William Wilson”, “The Fall of the House of Usher”, bem como os anteriormente publicados em revistas e jornais. Em 1840, saem os seis primeiros capítulos do inacabado The Journal of Julius Rodman – inacabado porque rompe com o editor da revista, a Burton´s Magazine. Entretanto, continua contribuindo para essa e outras revistas: criptogramas e contos renomados, como “The Man of the Crowd”. Em 1841, surgem outros contos importantes: “The Murders in the Rue Morgue” e “Descent into the Maëlstrom”. Em 1842, publica a resenha para o livro de Hawthorne, Twice-Told Tales, resenha essa fundamental para se entender sua teoria estética, como se verá mais adiante. Nesse mesmo ano, surgem “The Masque of the Red Death” e “The Pit and the Pendulum”.

edgar-allan-poe-terror-obrasSe a década de 1832-1842 pode ser vista como momento de ascensão gradual de Poe no mercado editorial, 1842 parece simbolizar o início de seu declínio editorial e físico, com os primeiros sinais de tuberculose em Virginia. De fato, a penúria de seu cotidiano, a falta constante de emprego, a figura assertiva e, por vezes, ousada do Poe crítico podem ser consideradas como causas de sua decadência sócio-econômica e aceleração na doença de sua mulher. Começa, então, uma luta desenfreada e, por vezes, inútil, no sentido de conseguir mais prestígio, dinheiro e emprego: afinal, sua carreira e a vida de Virginia estavam em jogo e Poe parecia ter clara consciência do fato. Em 1843, tenta, em vão, emprego no governo em Washington, mas consegue se lançar enquanto leitor de sua própria obra: as leituras de obras literárias feitas em voz alta pelos autores eram bastante concorridas na sociedade letrada das grandes cidades norte-americanas no século XIX. Na primeira leitura, empresta sua voz a “The Poets and Poetry of America”, texto crítico em que analisa a biografia e obra de alguns contemporâneos. O conto “The Gold Bug” lhe garante um prêmio em concurso literário organizado pelo Dollar Newspaper de Filadélfia. Data desse mesmo ano, 1843, a publicação de “The Tell-Tale Heart” e “The Black Cat”.

Sempre tentando publicar e editar, muda-se para Nova York em 1844, ano em que saem o primeiro capítulo de Marginalia na Democratic Review e onze contos, dentre os quais “ A Tale of the Ragged Mountain”, “ The Premature Burial” e “The Purloined Letter”, em diversos periódicos. Em 1845, surge seu poema mais famoso, “The Raven”, retomando o antigo sonho de se dedicar à poesia enquanto gênero mais nobre dentro da literatura. Tal poema é amplamente difundido e apreciado, trazendo fama a Poe, talvez pela primeira vez. Nesse ano, inicia uma longa batalha literária contra Longfellow, o poeta mais renomado de seu tempo.

Acusa-o de plágio, de inferioridade estética, talvez para se defender e realçar seus princípios estéticos e poéticos; afinal, nada melhor, no entender de Poe, segundo diversos contemporâneos, do que atacar o cânone para se proteger e promover, polemizar para atrair a atenção para sua obra. Também em 1845, publica duas coletâneas, Tales e The Raven and Other Poems, além de contos como “The System of Doctor Tarr and Professor Fether” e “ The Imp of the Perverse”.
Em 1846, após período de doença e piora no quadro de Virginia, muda-se para os arredores de Nova York, levando sua família para Fordham, onde se estabelecem em um chalé precário e frio. Nesse ano, surgem “The Cask of Amontillado” e seu renomado estudo a posteriori sobre “ The Raven”, “The Philosophy of Composition”. Virginia morre em 1847, o que acarreta um longo período de depressão e doenças para Poe e poucas publicações, como “ The Domain of Arnheim” e o poema “ Ulalume”. Em 1848, tentando retomar sua carreira e sua vida, tenta se casar novamente, de forma descrita por vários amigos e biográfos como desesperada, em busca de uma “tábua de salvação”: flerta com diversas mulheres, entre elas sua primeira namorada, agora viúva e a poeta Sarah Whitman, fato que lhe rende os poemas de amor “Annie” e “To Helen”, além do famoso poema “The Bells”. Em 1848 publica Eureka, poema em prosa, tratado de cosmogonia sob a luz da teoria atomista, ensaio sobre o processo de escritura, considerado pelo próprio autor como importantíssimo, ponto máximo dentro de sua produção estética e poética, a ponto de ter escrito a sua tia, Maria Clemm, que nada mais poderia redigir ou lançar depois de Eureka.

Em 1849, ano de sua morte, ainda acalentando o velho sonho de ter a sua própria revista literária, viaja a Philadelphia, Richmond e tenta chegar a Boston, no sentido de fazer outras leituras em voz alta e de solicitar assinaturas para uma futura revista. Diante da real possibilidade de se casar novamente, viaja uma vez mais, mas misteriosamente é encontrado em uma sarjeta em Baltimore em 3 de outubro, praticamente inconsciente, em estado alucinatório, sem documentos nem pertences e vestido com roupas que não as suas. Levado ao hospital, morre em 7 de outubro. Suas últimas publicações foram “ Hop Frog”, “ Landor´s Cottage”, os poemas “For Annie” e “Eldorado” e, postumamente, “Annabel Lee”. As circunstâncias envolvendo sua morte permanecem bastante nebulosas para a crítica. Inicialmente, talvez por influência do obituário difamatório de Griswold, pensou-se em alcoolismo exagerado, ou seja, delirium tremens. De fato, diveros críticos apoiaram tal hipótese por muito tempo. Também se aventou a ligação com ópio, na medida em que diversos narradores e personagens de seus contos aparecem sob influência dessa droga durante as narrativas. A ausência de documentos do hospital e a entrevista concedida pelo médico que cuidou de Poe durante seus últimos momentos de vida não esclarecem muito. Mais recentemente, aventaram-se outras possibilidades: por ter havido um provável surto de hidrofobia nos arredores de Baltimore, alguns biógrafos sugeriram que essa pudesse ser a causa mortis. Cartas de contemporâneos amigos de Poe, como Sarah Whitman, argumentam que Poe era alérgico a álcool e, portanto, incapaz de se embebedar. Outros mencionaram envenenamento, hipótese estudada recentemente por um grupo de médicos e pesquisadores da Johns Hopkins University. O resultado dessa pesquisa, publicado em 2003 e veiculado pelo Discovery Health Channel nos EUA no mesmo ano, relata que a análise laboratorial de fios de cabelo de Poe e Virginia atesta a presença, sim, de substâncias químicas venenosas liberadas pelo constante uso de lampiões como única forma de iluminação na primeira metade do século XIX. Segundo esse estudo, o acúmulo lento de tais substâncias poderia ter levado à estranha patologia que matou Edgar Allan Poe.

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2 Comments

  1. ramon

    Se Poe se casa com Virginia em 1836 com 13 anos como ele pode ter nascido em 1809????
    “Edgar Allan Poe, nasceu no ano de 1809, e faleceu em 1849…´´
    “ Em 1836, casa-se com Virginia, então com treze anos de idade…´´

    • Nique

      Na verdade a Virginia tinha treze anos e não ele.

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